Vivendo e aprendendo: Um interessante comentário sobre o acidente do Bandeirante em São José dos Pinhais...

Depois de recebermos um comentário de uma sobrevivente deste acidente em São José dos Pinhais em nosso artigo sobre uma relação de acidentes envolvendo aeronaves Emb-110 ( http://bandeirante40anos.blogspot.com/2009/10/relacao-atualizada-de-todos-os.html ), resolvi destacar este comentário que nos revela preciosos detalhes deste fato que, mais uma vez, comprova que a grande maioria dos acidentes envolvendo o Bandeirante, estão ligados à falha humana e a negligência técnica. Como sempre, abusando da grande capacidade deste "jipe voador" que é o Bandeco... Situações como esta só me fazem admirar ainda mais esta aeronave, tão bem projetada pela equipe do CTA.

Segue o relato de nosso comentarista anônimo:
"Olá, preservando minha identidade, por razões de militarismo, sou Controlador de Tráfego Aéreo e também tenho formação em Pilotagem, e não sei se o acidente acima referido fala sobre o Bandeirante da FAB que decolou do Campo de Marte, SBMT, para Florianópolis, SBFL (Projeto Badeirante: Sim, é este mesmo. Em 26/12/2002.), mas, devido à pane seca, não detectada a tempo, alternou a rota para o Aeroporto de Curitiba, que fica no Município vizinho de São J. dos Pinhais. À época tive acesso a alguns detalhes. O diagnóstico da "pane" num motor, fora fruto de uma "visão de túnel", conhecido erro de avaliação devido à tripulação presente ter fixado sua atenção num fato possível apenas, ignorando outras possibilidades. O Motor nº 02 apagou quando estavam a 10 mil pés (aprox 3.000 metros). Não houve declaração de Emergência fins de ganho de prioridade para aproximação e pouso. Apenas houve a solicitação de mudança de destino para o aeroporto de ALTERNATIVA (fato previsto e até comum). O centro de controle de área de Curitiba (ACC-CW), Apenas sequenciou (por não saber que se trataria de uma avião em urgência/emergência) o que obviamente foi mais demorado que um vetor direto, CASO o piloto em comando declarasse alguma necessidade. A aeronave veio a colidir com obstáculos aproximadamente a 3 Km da pista, quando o avião configurado para pouso ("sujo", com alto Coeficiente de Arrasto) acabou por "perder" o motor nº 01, por falta de combustível. Tudo começou em SP, devido ao excesso de carga para o voo, e a pista ser mais curta, o comandante do voo mandou "destanquearem" (retirar querosene dos tanques, para trocar peso de combustível X peso de carga/passageiros). Há possibilidde que o funcionárioda empresa de abastecimento tenha se confundido ao retirar Kg's(kilogramas) de combustível ao invés de Lb's(libras), cada 1 Kg corresponde a 2,2 Lb.Por exemplo:
Se para o voo ser realizado são necessárias 4 mil libras, e o avião está com 10 mil libras, poderia-se, apenas por praticidade, ser mandado destanquear umas 3 mil, pois ainda assim ficaria 7 mil Lbs( o necessário de autonomia para as ALTERNATIVAS). MAS, se houvesse a confusão, e destanqueassem 3 mil Kgs:
10 mil Lbs = 4.545 kgs
menos 3.000 Kgs = 1545 Kgs = 3.400 Lbs FALTARIAM 600 libras e a pane seca seria uma realidade. Fica o aprendizado." 

E que aprendizado! Obrigado pelo relato.Vejam as fotos:

2 comentários:

  1. Olá. Sou militar da Fab, trabalho diariamente com o Bandeirante, sou elemento credenciado em em segurança de voo pelo Cenipa, e participei das investigações do referido acidente (por razões óbvias não posso me identificar); sendo assim contesto alguns dados relatados acima: em primeiro lugar o destanqueio não foi relizado pela empresa de abastecimento, e sim pelo próprio mecânico de voo da aeronave, o qual realizava seu primeiro voo solo após formação para tal; ele equivocadamente baseou-se no totalizador de combustível consumido para avaliar a quantidade de qav-1 retirada do avião; este foi o 1º erro, tendo em vista que a idicação do totalizador só é confiável quando os motores estão acionados e mede exclusivamente o consumo destes; após o destanqueio o mesmo mediu o combustível remanescente com o auxílio da vareta do sistema "dripless-stick", colococando-a no ponto 1, ou seja, ponto de medição mais baixo no tanque, e inadvertidamente fez a conferência na tabela relativa ao ponto 2, que fica mais acima na asa, portando sendo levado a crer que existia mais combustível nos tanques, do que de fato lá existia.
    Com relação ao pouso mal sucedido, o mesmo não foi feito na configuração "suja" da aeronave como afirmado no relato anterior, pois se os flapes tivessem sido utilizados, a velocidade de toque poderia ser menor, levando a crer que poderia ter sido bem sucedido; além disto o piloto em comando era o aluno, o qual na ânsia de alcançar a pista deixou que a aeronave "estolasse" à baixa altura perdendo seu efetivo controle, sem conseguir recuperá-lo a tempo, sendo que poderia ter tentado o pouso de emergência, porém de forma controlada, no próprio local em que acidentou-se. Meu intuito é somente "clarear" o que ocorreu sem efetuar julgamentos. Obrigado

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  2. Obrigado pelos comentários esclarecedores.

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