Bandeirulha - O Bandeirante patrulheiro dos mares...


Extraído: Agência Linha de Defesa ( www.alide.com.br )


A Patrulha Marítima na FAB 
Um projeto nacional, evoluído a partir do transporte leve EMB-110 (C-95) Bandeirante, o EMB-111 Bandeirante Patrulha foi criado para cobrir a lacuna deixada pela aposentadoria do P-15 (P-2E) Netuno que desde o fim da década de 50 realizava todas as missões de patrulha marítima na Força Aérea Brasileira. Inesperadamente coube a ele o papel de ser o introdutor, na FAB, de toda uma nova e complexa cultura de guerra eletrônica que eventualmente transformaria a Força como um todo.
A importância estratégica da Patrulha Marítima na costa brasileira era evidente desde o tempo da aviação naval antes mesmo da criação da FAB em 1941. Ao absorver os meios aéreos e de pessoal que pertenciam à Marinha do Brasil a nova Força absorveu estas preocupações ainda no berço. Com a entrada do Brasil na Segunda Grande Guerra no lado dos Aliados em 1941 os submarinos do Eixo passaram a disparar contra nossos navios mercantes, causando um grande número de perdas, materiais e humanas. Em resposta, a FAB dedicou seus Lockheed A-28 Hudson, PV-1 Vega/Ventura e B-25 Mitchell, assim como os anfíbios Consolidated PBY Catalina, na tarefa de localizar e afundar os submarinos inimigos. Neste período, para complementar o esforço da FAB, a US Navy baseou no nosso território várias unidades do grande bote voador Martin PBM-3 Mariner.
O Legado do P-15 Netuno
O avião patrulha Lockheed P-2V5 Neptune foi criado para atender especificações da US Navy, e seu primeiro protótipo voou em 1945. O P2V foi concebido desde o início como plataforma dedicada à Guerra Anti-Submarino (ASW) e à Patrulha Marítima baseada em terra.
Os primeiros cinco P-15 Netuno, como foram chamados na FAB, de uma encomenda de 14, chegaram à Base Aérea de Salvador no dia 10 de dezembro de 1958 e o modelo foi  operado continuamente até ser desativado em setembro de 1976. O Netuno, até hoje, é dono de dois recordes de duração de vôo sem reabastecimento na FAB: em 8 de dezembro de 1961 alcançou 24h35 e em 23 de julho de 1967 quebrou sua própria marca voando 25h15 sem pousar. A obsolescência da aviônica ASW e principalmente dos seus motores radiais colaboraram para encerrar a vida operacional do Neptune. Na US Navy, e em vários países, ele foi sucedido pelo seu herdeiro natural, o P-3 Orion, também fabricado pela Lockheed. No Brasil, para incentivar a industria local e para contornar a crônica escassez de verbas, a FAB encomendou à Embraer um patrulheiro marítimo baseado na célula do C-95 Bandeirante, sendo ele chamado na FAB de P-95.
O Desenvolvimento do P-95
A Embraer apresentou suas idéias para o P-95 em 1975 e, um ano depois, o contrato da FAB para a produção das 12 aeronaves P-95A foi assinado. Estes aviões iniciais foram fabricados entre 1977 e 1979. Para poder realizar sua nova missão, o alcance normal do Bandeirante foi expandido sensivelmente com tanques de ponta de asa. O novo avião poderia assim executar missões de até sete horas e vinte minutos.  Estes tanques, cada um com capacidade para 318 litros de combustível, são idênticos aos usados na produção do treinador Xavante. No novo modelo a instalação dos tanques e dos cabides subalares exigiu um reforço significativo da estrutura na junção da asa com o trem de pouso. Como resultado direto do aumento do alcance, o peso máximo de decolagem da aeronave aumentou para 7000kg, 1100kg a mais do que o Bandeirante cargueiro normal.
Neste mesmo período, a Armada do Chile estava em entendimentos com a Embraer para a compra de uma patrulheiro para substituir seus próprios P-2E Neptune e logo adquiriu seis unidades do “P-111”, recebidos pelo esquadrão VP-3 entre 1978 e 1979. A versão usada pelo Chile difere dos aviões da FAB por contar com o sistema completo anti-congelamento no bordo de ataque das asas.
Após um desenvolvimento rápido, o primeiro vôo do novo avião ocorreu em agosto de 1977 com os testes de aceitação iniciados imediatamente. Este processo incluiu o lançamento de foguetes dos cabides subalares assim como o lançamento de marcadores de tinta, granadas fumígenas e botes salva-vida infláveis. O programa previa o uso de até mesmo bombas burras, cargas de profundidade e casulos de metralhadoras, mas estas armas não fazem parte do acervo adotado pela Força Aérea Brasileira.
O motor selecionado para o Bandeirulha foi o PT6A-34 com 700SHP de potência, utilizado também nos Bandeirantes cargueiros mais recentes.
No fim dos anos 80, mais oito aeronaves foram encomendadas da versão melhorada, o P-95B. Em relação ao modelo original, o P-95B apresentava como única grande alteração exterior os estabilizadores horizontais com diedro de 10 graus, uma característica herdada do Bandeirante C-95C. No seu interior, o P-95B atualizou alguns equipamentos e adicionou uma boa capacidade de guerra eletrônica à plataforma básica.




Os demais esquadrões de patrulha da FAB
A introdução das doze células do P-95, somadas aos dez P-95B que vieram depois, no lugar de apenas 14 células de Neptunes, permitiu um grande aumento no número de esquadrões dedicados à Patrulha na FAB. Atualmente são quatro unidades espalhadas pela costa, do norte ao sul.
A primeira unidade a receber o P-95 foi o 1°/7° GAv “Orungan”, baseado em Salvador, que em 11 de abril de 1978 recebeu três aeronaves. O pioneiro 1°/7°GAv tem uma longa história de serviços prestados na FAB, lutando nesta arena ininterruptamente desde 1947.
A segunda unidade, o 2°/7°GAv “Phoenix”, foi fundada em 15 de fevereiro de 1982 em Florianópolis, recebendo alguns dos P-95 que estavam em Salvador.
No dia 27 de setembro de 1990 foi ativado o 3°/7° GAv “Netuno”, com base em Belém. Com a chegada dos P-95B muito mais capazes em Salvador e Florianópolis, os P-95 foram deslocados para sua nova casa em Belém.




Os sistemas dos P-95, P-95A e P-95B
O principal sensor ativo do P-95 original era o radar compacto Eaton (ex-Cuttler-Hammer) AN/APS-128 com aproximadamente 100 milhas de alcance operando na faixa X e com sua taxa de varredura oscilando entre 15 e 60 rpm. Compacto e eficiente ele também foi utilizado nos CASA 212MP da Espanha, nos C-130MPs da Indonésia e Malásia e nos Beech B-200T da Marinha Japonesa. Diferente da maioria dos radares este modelo usa um display de tipo televisão com 8x8 polegadas para exibir a sua imagem sendo plenamente integrado com o inercial, Omega e demais sistemas de navegação.
As antenas do ADF estão localizadas duas sobre a fuselagem e uma embutida dentro da extensão da empenagem vertical. O cabo que liga a cabine ao topo da empenagem é a antena de comunicações de HF. A grande antena em forma de barbatana na parte superior da fuselagem é a de VHF. As antenas do VOR apontam para trás e estão presente dos dois lados no topo da cauda.
O EMB-111A era originalmente equipado com os seguintes equipamentos:
Um transceptor Collins 618T-3B em HF/AM/SSB/CW, dois transceptores VHF Collins 618M-3, duas bússolas giromagnéticas Sperry C-14, dois receptores de ADF Bendix DFA-74A, dois receptores VOR/ILS/Marker Beacon Collins VIR-31A, um transponder de IFF Collins AN/APX-92, um VHF/DF Collins DF-301E, um rádio-altímetro Bendix ALA-51, um sistema de navegação inercial Litton LN-33 e Piloto automático Bendix M4-C.
O P-95B por sua vez era outra classe de aeronave. O radar AN/APS-128 foi substituído por um moderno THORN EMI Super Searcher  apresentado publicamente em 1982. Este radar apresenta capacidade Track While Scan (TWS - acompanha o alvo sem ter de parar de buscar no resto do espaço aéreo) e é usado também pelos helicópteros Sea King Mk.42 indianos e S-70B Seahawk da Marinha Australiana.
Além do novo radar, o modelo “B” incorporou uma aviônica mais moderna, que inclui:
Thomson-CSF DR 2000A Mk II /Dalia 1000A Mk II (MAGE - Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica), Collins EFIS-74, ADI-84, Piloto-automático APS-65 e o Sistema de navegação Omega Canadian Marconi CMA 771 Mk III.
O P-95A, a despeito do seu sufixo, foi entregue depois dos P-95B. Implementado pela área técnica da TAM, ele foi fruto do casamento das células dos P-95 originais com a eletrônica moderna do Bandeirulha “Bravo”. Tanto a fiação quanto as cablagens tieveram de ser refeitas e os novos módulos aviônicos foram inseridos nas estantes internas pré-existentes nos P-95. Todos os P-95 em operação na época foram convertidos para o padrão P-95A.




Armamento
O Neptune era uma plataforma muito maior e mais capaz do que o Bandeirante Patrulha, mesmo com a adição dos tanques extras de ponta de asa. Tinha mais do dobro da autonomia e apresentava uma carga de armamento que o P-95 jamais poderia imaginar ter. O P-15 carregava torpedos, cargas de profundidade, sonobóias e contava com um sensor de anomalias magnéticas (MAD) no final da sua fuselagem. Era uma aeronave feita para guerra Anti-Superfície (ASuW) e Anti-Submarino (ASW).
Ao contrário de seu antecessor, o Bandeirulha era essencialmente uma aeronave de vigilância de área marítima econômica, não dispondo nem mesmo de um compartimento de armamento dentro da fuselagem. As armas do P-95 precisam ser levadas exclusivamente nos quatro cabides para armamento dispostos sob suas asas. O holofote de 50000 candelas teve seu uso descontinuado na FAB desde início da década de 90, principalmente devido ao grande consumo de eletricidade que ele impunha ao Bandeirulha. O P-95 pode carregar e disparar até 28 foguetes não guiados SBAT 70/7, de 70 mm, transportados dentro de quatro casulos aerodinâmicos sétuplos. Os foguetes não-guiados SBAT 127, de 127 mm de diâmetro, oito dos quais poderiam ser levados simultaneamente nos P-95, já foram descontinuados nos esquadrões de patrulha da FAB.
A adoção do sistema de Guerra Eletrônica ESM Thomson-CSF (hoje Thales) DR2000/Dalia no modelo Bravo modificou o emprego da aeronave e deu um novo fôlego ao Bandeirulha, agora como plataforma ELINT/SIGINT (Electronic/Signals Intelligence – Monitoramento de emissões eletromagnéticas).




Os EMB-111 vendidos para outros países
Além das seis células entregues para a Armada do Chile, um EMB-111 foi fornecido à Força Aérea do Gabão em 1981 e, curiosamente, na época da sua entrega, este avião ostentava o prefixo civil TR-KNC. Existem relatos não confirmados de que pelo menos um Embraer 111A foi transferido para Angola, embora não seja possível localizar qualquer evidência fotográfica de sua existência ou, de que, se foram entregues, ainda estejam em serviço.
Outros informes, também não confirmados, citam o interesse da Força Aérea Portuguesa, antes da compra de seis P-3P Orions em 1985, em adquirir até cinco unidades do EMB-111. Outra força que também teria estudado a compra de três unidades do Bandeirulha seria a Marina de Guerra del Peru.

O Batismo de Fogo nas Malvinas!
Em 1982, durante a guerra das Malvinas, devido ao avançado estado de obsolescência dos sistemas dos seus P-2 Neptune, a Armada Argentina se viu sem meios de patrulha marítima adequados para o tamanho da sua necessidade. Em condições ainda pouco claras, por decisão presidencial, a FAB alugou para a Armada de la República Argentina (ARA) dois Bandeirulhas. Após uma rápida reconfiguração na Embraer, as células 7058 e 7060 receberam insígnias e a camuflagem em cinza escuro, usada pelos patrulheiros da Armada de la Republica Argentina. Os dois aviões foram operados  durante o auge da Guerra, à partir de maio daquele ano. O 7058 recebeu a identidade “2-P-201” e o 7060 a “2-P-202”. As duas aeronaves foram operadas pela Escuadrilla Aeronaval de Exploración, à época operando na Base Aérea Militar Rio Gallegos, localizada 2.081km (1.124nm) ao sul de Buenos Aires. As duas aeronaves foram devolvidas e re-integradas à FAB em março de 1983. Entre sair da Embraer e voltar ao Brasil, o 7060 voou 166 horas.
Durante a Guerra, fontes não-oficiais indicam que os EMB-111 chilenos teriam operado continuamente ao longo da fronteira com a Argentina. 

4 comentários:

  1. Aeromoodelo do aluno Luan do curso de MMA do SENAI São Jose´/SC
    http://www.youtube.com/watch?v=KaRLyV6ZOIM&feature=player_embedded

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  2. Não entendi porque os P-16 não foram citados!

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  3. Não entendi porque os P-16 não foram citados.

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  4. O Bandeirulha foi sucessor dos P-16E traker que, por sua vez, substituiu o P-15 Neptune. E nem vou comentar a superioridade Traker sobre o Neptune.

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