História: De onde veio o projeto de design do Bandeirante?


Nestes últimos dias li muitos comentários de pessoas que não sabiam que havia um "dedo francês" no projeto original do Bandeirante... pois é. A história é esta:

Em março de 1965, é apresentado a Ozires Silva (na ocasião chefe do departamento de aeronaves do PAR), por intermédio de José Carlos de Barros Neiva, o experiente projetista francês Max Holste.
"Neiva e Max Holste, acompanhados pelo Kovacz, chegaram em minha casa, no CTA. Era tarde da noite, cerca de 22 horas. Max era um homem baixo, atarracado, de pele avermelhada, com bastos cabelos começando a esbranquiçar. Parecia, desde o primeiro contato, um homem determinado e, embora transmitisse competência, não parecia ser simpático. Sem nenhuma conotação negativa, era tipicamente francês, pouco se importando com a impressão que daria ao seu interlocutor. Enfim, sabia o que queria e vendia-se pelo preço que tinha fixado a si próprio.
Iniciando a conversa, contara-me que o Max tinha deixado a França, dois anos antes, devido as complicações financeiras geradas pela transferência de sua empresa Avions Max Holste para o governo francês. Seu destino teria sido o Marrocos e depois de dois anos de frustradas tentativas de implantar uma indústria aeronáutica local, voltou suas atenções para a América do Sul, em especial, o Brasil.
Max Holste tinha boa reputação profissional. Era conhecido como homem de difícil caráter. Contudo, mesmo sendo um homem duro, foi capaz de inspirar confiança."

A princípio Max desejava implantar um de seus projetos já prontos, porém Ozires o convenceu de atender a uma demanda nacional e as expectativas de um projeto de bimotor.
"Max foi muito sincero e disse: "Aceito o desafio, mas reservo-me o direito de analisar a especificação básica do avião a ser projetado, de modo que ele esteja dentro daquilo que eu julgue ser capaz. De modo nenhum procurarei saltar acima do que sei ser minha competência e meus limites." Acrescentou com ênfase: "Não irei além disso"." 
Mais tarde isso ficou evidente, quando a equipe do CTA resolveu, após os 3 protótipos, modificar radicalmente o projeto, transformando-o no atual Bandeirante que conhecemos. Neste momento, Max encerrou sua participação e voltou para França.
(Texto parcialmente extraído e adaptado do livro "A decolagem de um sonho", de Ozires Silva.)

Abaixo podemos ver uma imagem do Nord 260 Super Broussard, avião francês projetado por Max e que, literalmente inspirou o projeto do Bandeirante. Notem que o Bandeirante seria uma espécie de "Nord de asa baixa"...


Nesta outra foto vemos Max com Ozires em São José dos Campos.

2 comentários:

  1. Muito legal este site. Agora é que eu pude contemplá-lo melhor. Eu estava ansioso para ver o que era esse tal de Broussard Major que serviu de base para o Max Holste projetar o Bandeirante. Eu já conhecia o Nord 260 de um antigo folder da Aérospatiale, mas não tinha idéia de que ele tinha sido o Broussard Major. Já estou preparando o link para o seu site no meu. Espero ver o meu em breve.
    Um grande abraço!

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  2. Obrigado Pablo. Curiosamente encontrei um modelo muito bom desta aeronave para o Flight Simulator 2004 e quando o instalei, fiquei surpreso com o FDE. O interessante disso é que no FS temos uma visão mais completa da aeronave e quando ouvi o som dos motores do Nord... rapaz... literalmente viajei no tempo! Simplesmente magnífico! :)

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