Entrevista: Cruiser Linhas Aéreas

Estamos iniciando uma série de entrevistas com os atuais operadores de aeronaves Emb-110 Bandeirante.
A primeira entrevistada foi a Cruiser Linhas Aéreas, que opera no centro-oeste brasileiro.

A Cruiser, como praticamente todas as operadoras regionais do Brasil, já atravessou momentos muito difíceis ao longo de sua existência e hoje mantém uma malha reduzida, porém muito importante na integração do Estado do Mato Grosso. Já chegou a operar aeronaves Let, porém hoje somente utiliza aeronaves Bandeirante.
Histórico:
Em 1996, no estado do Paraná, nasceu a Cruiser Táxi Aéreo, fruto de 14 anos de experiência e dedicação do Comandante Vinícius de Lara Cichon. A empresa cresceu e baseada em análises e anseios do mercado, enxergou um grande potencial na aviação regional. Com espírito visionário e empreendedor, o comandante atingiu novos segmentos e um público diferenciado dos usuários de táxi aéreo.
Para diversificar seus negócios na aviação, a empresa passou a operar também com linhas aéreas regionais e em 2001 passou a ser chamada de Cruiser Linhas Aéreas.
O primeiro vôo regular aconteceu em 4 de junho de 2001 com destino a Pato Branco. Depois, a empresa começou a atuar em outras cidades do Paraná e Santa Catarina.
Em 4 de agosto de 2002 iniciaram-se os vôos para o Mato Grosso, visando promover a integração do estado por meio do transporte aéreo.
Em novembro de 2004, com o recebimento da homologação definitiva de linha aérea regular, a Cruiser Linhas Aéreas tornou-se uma das 26 empresas regulares brasileiras a ter a concessão do governo para explorar este serviço.

Entrevista:

PROJETO BANDEIRANTE: Qual o teu nome, idade e função na Cruiser ? Há quanto tempo atua na empresa e qual é o teu histórico com aeronaves Bandeirante?
Albino dos Reis, 70 anos, Chefe de Operações. Trabalho na Cruiser há 5 anos. Tenho aprox. 6.000 horas no Bandeirantes. Fiz o treinamento inicial na EMBRAER em 1976. Voei na TABA umas 5.000 horas e hoje na Cruiser mais umas 1.000 horas (no Bandeirante).
Tenho um total de aprox. 33.000 horas de voo com aeronaves Jato, Turbo-Hélice e Convencional.

PROJETO BANDEIRANTE: Como operador de aeronave Bandeirante, quais seriam, sob o teu ponto de vista, as vantagens e desvantagens de se trabalhar com esta aeronave?
VANTAGENS: É um avião bem versátil. Aceita muitas condições desfavoráveis (pistas curtas, pistas de terra, etc). Possui duas ótimas turbinas PT-6 (Prat Whitney) capazes de segurar uma emergência na decolagem sem muito problema.
DESVANTAGEM: Como qualquer outro avião é usado para o transporte de passageiros e carga; todavia se o trecho a ser voado for longo, como é o caso da Amazônia, ele fica restrito no aproveitamento, pois as distâncias na Amazônia são grandes e aumenta a necessidade de se carregar combustível. Por exemplo: num voo de 03:00 horas e com uma alternativa distante 01:00 hora o aproveitamento comercial será bem baixo - em torno de 9 passageiros; portanto já se perde 6 passageiros no avião básico.

PROJETO BANDEIRANTE: Dizem que, devido a idade, esta aeronave já possui problemas com reposição de peças. Isto é verdade? Qual é a realidade sobre a manutenção de uma aeronave Bandeirante?
Não creio que se tenha muitos problemas com relação à aquisição de material para o Bandeirantes aqui no Brasil, pois existem muitas empresas que se dispuseram a manter fornecimento de peças de reposição.
O nosso Bandeirantes aqui na Cruiser foi fabricado em 1974 - PT-WBR - e nós voamos com ele sem susto. As panes que aparecem são panes corriqueiras que são sanadas de imediato com um custo muito baixo.

PROJETO BANDEIRANTE: O custo operacional de uma aeronave Bandeirante é alto?
É baixo. Consumo horário: 335 litros. Os demais fatores são os mesmos de qualquer outra aeronave.

PROJETO BANDEIRANTE: Dizem que os operadores desta aeronave são “apaixonados” por ela... isto é mito ou tem um pouco de verdade? Na tua opinião qual é o ponto forte do Bandeirante no serviço prestado por ele aos seus operadores?
Hoje, são poucos os operadores que possuem Bandeirantes em condições de vôo no Brasil. Creio até que a "paixão" está ligada à produtividade, pois nos Garimpos da Amazônia o Bandeirantes fez o maior sucesso, com um "pay-load" altíssimo, é claro, operando totalmente fora dos padrões tanto no que diz respeito ao peso máximo de decolagem e pouso como às pistas onde operavam.

PROJETO BANDEIRANTE: A aceitação é boa por parte dos passageiros?
É boa sim. Depende um pouco da tripulação em transmitir confiança ao passageiro, pois os passageiros pariticipam um pouco da operação, uma vez que assistem tudo desde a decolagem até o pouso, pois o Bandeirantes (a maioria) não tem porta que separa os passageiros da tripulação. Na Cruiser os passageiros sentem a segurança que é transmitida pelo avião e tripulantes.

PROJETO BANDEIRANTE: Você saberia nos relatar um o mais fatos curiosos que você tenha ouvido ou presenciado, relacionado ao Bandeirante?
Na TABA, onde voei por 25 anos, um Bandeirantes colidiu em voo com um monomotor aqui no Mato Grosso. O monomotor caiu e morreram os passageiros e o Bandeirantes da TABA chegou ao destino sem problemas.
Na VOTEC dois Bandeirantes da mesma cia. colidiram numa aproximação em Imperatriz-MA. Um caiu e morreram todos. O outro pousou no Rio Tocantins e se salvaram todos ou quase todos - não me lembro. Se for contar tudo o espaço torna-se pequeno.

PROJETO BANDEIRANTE: Quais são os planos futuros para da Cruiser? Haverá expansão das rotas ou aquisição de mais aeronaves?
Os planos da Cruiser para o futuro são:
a) - continuar com o Bandeirantes nas pistas onde só êle opera.
b) - adquirir aeronaves maiores (Brasilia talvez) para expandir a operação no Brasil.

Malha atual da Cruiser (em breve estará operanto também em Sinop e Lucas do Rio Verde):
Clique na imagem para ampliar.


Assista e baixe o novo vídeo "Voando com a Cruiser" que disponibilizamos em nossa Videoteca.

3 comentários:

  1. Grande Comandante Albino!

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  2. tem previsão para começar operar voos para lucas do rio verde MT?

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  3. Não se pode esquecer das empresas VASP, SADIA. E também que a TÁXI AÉREO SAGRES MANAUS que, a partir de 1973, operou com 3 bandeirantes (PT-SEE, PT-GJB e PT-GJG) e um arrendado (PT-GJH), pioneiramente sendo o primeiro Táxi Aéreo a operar com os EMB-110 no mundo. Naquela época a NOTA Táxi Aéreo, que posteriormente se transformaria em TABA Linhas Aéreas, operava com aeronaves Beechcraft da época da 2ª Grande Guerra. A SAGRES operou em toda Amazônia e parte do Mato Grosso, em serviços de transporte de passageiros sem subvenção governamental, mas com o advento da aviação regional foi preterida em favor de Cel Gibson, que ficou com área, mesmo sem ter aeronaves qualificadas. Esta história ainda não foi totalmente contada.

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